Vale a leitura (Dica): Hacks de Produtividade #1: Autocuidado — Matheus de Souza

Hoje começo uma série de #5 Hacks de Produtividade — ou mais, dependendo dos feedbacks. As dicas serão publicadas sempre às quartas-feiras. Nos últimos meses tenho pesquisado e escrito bastante sobre produtividade. Tenho focado em conteúdos que ajudem profissionais criativos no que realmente importa: criação — seja você um escritor, blogueiro, fotógrafo, profissional de marketing e afins. O tema virou quase […]

via Hacks de Produtividade #1: Autocuidado — Matheus de Souza

O problema não está no outro

Existe uma dificuldade enorme em perceber a diversidade humana e sua subjetividade”, é com essa frase do Professor Leandro Karnal que começo esse texto, onde quero trazer uma breve reflexão sobre a falta de entendimento e respeito com aquilo que só diz respeito ao outro. E nada melhor do que utilizar as sábias palavras de um Historiador, que tive o privilégio de conhecer pessoalmente e ouvir numa palestra, para reforçar meus argumentos.

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Os Jogos Olímpicos Rio 2016 movimentam a mídia do mundo inteiro com notícias. Todos os dias vemos, lemos e ouvimos curiosidades, estatísticas, previsões, resultados e informações sobre tudo que acontece nas competições e até mesmo dentro da Vila Olímpica, onde os atletas estão hospedados. Jornalistas do mundo inteiro estão sedentos por conteúdos diferenciados para rechear suas matérias, tanto para atender suas expectativas pessoais/profissionais, do próprio veículo de comunicação para o os quais trabalham, quanto para um público cada vez mais interessado em novos assuntos. Entretanto, nesse contexto em que temos o jornalista, o conteúdo a ser abordado, o canal que veiculará a notícia e o público que receberá a informação, ao longo de todas essas etapas deverá sempre existir uma questão muito importante: o bom senso. Ou seja, uma avaliação mínima sobre a pertinência do que será dito, as consequências que acarretará, o objetivo daquilo estar sendo dito e, mais ainda, de forma afetará as pessoas.

Um artigo polêmico escrito pelo jornalista britânico Nico Hines, editor do site “The Daily Beast”, foi uma das coisas mais desastrosas que se viu ultimamente em uma cobertura de Olimpíadas e incomodou até mesmo atletas que não estão envolvidos na notícia e também os internautas. Em resumo, ele planejou uma forma de “tirar do armário” alguns esportistas que estão na cidade para os Jogos Olímpicos, para isso criou um perfil falso em um aplicativo de paquera para o público LGBT, mapeou atletas via GPS e chegou a marcar encontros com alguns deles (mas não compareceu em nenhum deles de verdade). O jornalista, que é heterossexual, a partir disso, criou um texto chamado “I Got Three Grindr Dates in a Hour in the Olympic Village” (“Consegui três encontros no Grindr em uma hora na Vila Olímpica”), narrando em detalhes a facilidade com que marcou esses encontros usando aplicativos como Grindr, Hornet, Tinder, entre outros. Apesar de abordar também atletas heterossexuais, o texto tem o foco principal sobre os gays.

A publicação enfureceu muitos outros atletas, mesmo não envolvidos ou citados no texto, assim como, os amigos dos competidores e o público em geral. Afinal de contas, além de expor as pessoas de forma inescrupulosa, não mediu em nenhum momento as consequências. Muitos dos atletas comentados ainda são muito jovens e não haviam ainda achado uma forma de compartilhar com as suas famílias a questão de sua sexualidade, outros, todavia, residem em países extremamente radicais em que o fato de ser gay é considerado um crime.  E nessa mistura toda tem o reflexo na imagem do atleta com as marcas dos seus patrocinadores e também com o público, que poderá causar transtornos na sua carreira, afinal de contas o preconceito ainda é enorme (talvez ainda mais acentuado no meio esportivo).

O nadador Amini Fonua, que está no Rio para participar dos Jogos e nasceu em Tonga, país onde os homossexuais são violentamente criminalizados, usou o Twitter para criticar de forma veemente o que foi feito pelo jornalista: “Algumas dessas pessoas que você tirou do armário são meus amigos. Com família e vidas que serão afetadas para sempre”. “Imagine um espaço onde você pode ser você mesmo, se sentir seguro, sendo arruinado por alguém que acha que tudo é brincadeira?”, escreveu o nadador.

Depois de muita polêmica, o artigo foi apagado do site e substituído por um pedido de desculpas do Daily Beast que publicou: “Nossa esperança é que, ao remover o artigo que está em conflito com nossos valores, bem como com aos quais aspiramos como jornalistas, demonstre quão seriamente levamos nosso erro”.

Então a partir disso tudo que li na imprensa e relatei aqui, eu me pergunto: onde está a ética? Onde foi parar o bom senso? O que está acontecendo com os seres humanos?

Espero que as pessoas entendam a gravidade dessa publicação, das atitudes do jornalista e do veículo que autorizou e publicou seu texto (caso tenham visto antes). Nenhuma pessoa tem o direito de invadir a intimidade dos outros, enganar através de perfis fakes para arrancar informações e depois expor isso ao mundo. Ninguém tem o direito de interferir dessa forma na vida do outro sem a mínima consciência das consequências que isso trará. Falar ou não sobre a sexualidade é uma escolha única e exclusiva da pessoa que está vivenciando aquilo. E o direito de não ser exposto serve para todos os aspectos da vida de cada um. O que ele pensou que ganharia com isso? Um pouco mais de exposição, quem sabe, ou muitas visualizações e audiência. Mas a que preço? Quem paga essa conta?

O que falta para muitas pessoas entenderem é que o fato de expor da vida do outro, ou aquilo que consideram um “problema” na vida alheia, não as torna melhores. Você não é melhor porque alguém é diferente de você, porque ser melhor ou pior depende do ponto de vista e da subjetividade de cada pessoa. Alguém pobre, por exemplo, pode se sentir melhor do que alguém muito rico, simplesmente porque tem a liberdade de ir e vir sem se preocupar com a segurança, ou porque não tem amizades baseadas em interesses ou talvez não precise se preocupar tanto com os negócios, já que não tem tantas famílias dependendo financeiramente dele. Assim como, uma pessoa gorda pode se sentir mais feliz que uma magra, simplesmente porque pode comer tudo que tem vontade. Enfim, a questão toda é que expor algo que a gente ache errado nos outros não nos faz melhor, ao contrário, apenas nos torna mais medíocres.

O problema não é ser gay, mas sim ser um jornalista que se faz passar por outra pessoa, apenas para expor a intimidade dos outros com o objetivo de que sua notícia tenha audiência e repercussão na mídia. Falta aqui a dimensão do humano, a ética, o respeito e o bom senso.

O Brasil que deu certo

Lembro que era 1998/1999, mais ou menos, quando comecei a prestar a atenção no assunto sobre uma modelo gaúcha que estava fazendo muito sucesso no mundo inteiro: Gisele Bundchen. Estava na universidade e uma colega apareceu com uma revista com ela estampando a capa e, depois disso, li também nos sites de notícias várias matérias sobre o assunto. Pelo menos aos meus olhos, foi ali que descobri como expectador o poder do que acredito ser o nosso maior furacão avassalador brasileiro. É incrível que nas primeiras fotos em que a vi na mídia já pude identificar um brilho especial, aquele algo diferente que não sabemos explicar, mas que por algum motivo aquela pessoa desperta interesse, chama a atenção, irradia uma luz, que é impossível passar desapercebida, mesmo misturada com muitas outras modelos no mesmo ambiente. Sei até mesmo quais eram aquelas primeiras fotos e revistas as quais despertei para o assunto:

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Naquela época só se ouvia falar em Cindy Crawford, Cláudia Schiffer, Naomi Campbell, Kate Moss. E, de repente, pela primeira vez uma modelo brasileira chegava com tudo e era comparada as grandes estrelas que conhecíamos até então. E de lá para cá foi uma subida sem fim, a projeção da sua carreira foi astronômica. E quando se achava que o mundo engoliria a Gisele, ela engoliu o mundo. Os anos passaram e foram muitas campanhas publicitárias, capas de revistas, desfiles, comerciais de TV, participação no cinema, enfim, tudo aquilo que quem chega ao topo tem a chance de fazer e experimentar. E o mais bacana disso tudo é que ela nunca perdeu as raízes brasileiras e o contato com o país. E foi nos dando muitos motivos de orgulho, sendo efetivamente uma referência de sucesso.

E então estamos em 2014 e ela continua sendo um estouro. Arrasou nos tapetes vermelhos, participou do evento de encerramento da Copa do Mundo no Brasil, se tornou estrela de uma mega campanha da Chanel, e agora, teve uma passagem mais do que marcante nas passarelas do São Paulo Fashion Week. Ela literalmente foi o assunto da mídia desde o momento em que pisou no desfile da Colcci. E foi nesse momento que resolvi escrever sobre ela. Quando me dei conta de quantos anos se passaram e como essa mulher conseguiu se manter numa carreira sólida, ou melhor, fazer ainda mais sucesso do que antes. Não sei se é profissionalismo, luz, carisma, beleza, ou a soma disso tudo, o que importa que Gisele Bundchen é um furacão e nos enche sempre de orgulho. Num país onde as pessoas estão divididas, desunidas e buscando seus caminhos, posso dizer que ela me representa!

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Fosfolipídeos do Caviar

Estava eu observando o rótulo do frasco de umas das cápsulas que passei a ingerir desde que fui consultar uma nutricionista. E lá estava um dos componentes: fosfolipídeos do caviar. Lembrei que ela explicou que tratava-se uma substância consagrada na Europa e nos Estados Unidos, inclusive utilizada por alguns artistas de Hollywood. A cápsula proveniente das ovas, atua no tratamento global da pele devido à presença de fosfolipídios e proteínas que formam uma barreira epidérmica, mantendo a membrana celular íntegra e hidratada. Em bom português ajuda na produção de colágeno e elastina, o que proporciona melhora das rugas, flacidez, brilho, hidratação da pele, entre outros fatores. Enfim, essa era uma das substâncias que estava dentro daquele frasco, junto com muitas outras vitaminas.

Depois do ritual de ingerir aquela cápsula e passar para frascos seguintes, fiquei pensando na minha decisão de mudança nos hábitos de vida. Para resumir essa história: acordei um dia incomodado e resolvi arregaçar as mangas e ir a luta, ou seja, cuidar de mim. Fiz check-up médico, procurei uma nutricionista, fiz matrícula na academia, comprei roupas adequadas para prática de exercícios físicos e comecei a utilizar alguns medicamentos suplementares.

Eu já vinha numa escalada em prol da estética e da saúde há um tempo, mas na primeira etapa comecei adicionando o uso do filtro solar no rosto diariamente, depois com a ajuda da dermatologista aprendi novas técnicas e a utilizar outros produtos, como: gel de limpeza na pele, adstringente, água termal, tonificante, creme para olheiras, tratamento para área dos olhos, serum para o rosto, entre outros milhares de itens do mundo da cosmética. Na sequência veio as sessões de limpeza de pele, depois comecei a querer experimentar vários produtos e ir testando os resultados. E a isso se somam todas aquelas coisas bem básicas que conhecemos: cortar o cabelo, aparar a barba, cortar as unhas, etc.

E de repente, você descobre que existe um mundo de possibilidades na reeducação alimentar. Produtos e comidas de todos os jeitos, com baixo teor de gordura, menos calorias, sem glúten, sem lactose, com mais fibras. Milhares de opções para experimentar e descobrir aquilo que vai gostar mais. E junto com isso vem a adequação dos hábitos, comer de 3 em 3 horas, beber mais água, optar por itens mais saudáveis, diminuir sal e açúcar, e abandonar os refrigerantes (isso eu já havia feito há 2 anos). Além disso, surgem os suplementos, vitaminas, remédio para auxiliar na fortificação dos cabelos, pele e unhas, para diminuir a ansiedade, para dar força ao sistema imunológico.

E na academia um mundo de possibilidades surgem, além da boa e velha musculação: natação, corrida, pilates, hidroginástica, hidro circuito, aulas de diversos tipos de aeróbicos, boxe, ginástica funcional, kangoo jumps (quase morri pulando), enfim, uma gama para escolher. E eu claro, fui experimentando várias delas.

Na sequência você se depara com o shiatsu, as massagens relaxantes e redutoras de medidas, drenagem linfática (eu fiz!), RPG. E nem vamos falar da depilação (ui!), parei nas orelhas e no nariz.

E em determinado momento você se dá conta que está fazendo tantas coisas por você mesmo que nem imaginava. Inconscientemente já se alimenta direito, faz algum tipo de exercício, utiliza os recursos da medicina estética, organiza seu tempo para fazer suas coisas, em resumo, cuida da própria saúde. Mas isso demanda atenção, foco, determinação, vontade, tempo e investimento. Sim, investimento financeiro também. Só que uma das melhores poupanças que a gente pode ter a chance de fazer.

No meu caso, por exemplo, vim parar no Fosfolipídeos do Caviar. Mas não me arrependo, porque daqui alguns anos vou me olhar no espelho e gostar do que vou ver. E o principal, estarei vivo e saudável para isso. (se Deus não tiver outros planos, claro…hehe)

E esse blog surgiu nesse momento da vida, o momento da reinvenção. Por isso o nome: Hoje resolvi fazer uma coisa diferente. Uma pequena homenagem a Marilac, evidentemente, mas a mim mesmo que acordei um dia e quis mudar. Nesse ano de 2014 estou fazendo um grande movimento na minha vida, voltei a cursar teatro, fiz uma ponta num filme, acabei numa matéria de TV, efetuei todas essas mudanças na alimentação e na realização de atividades físicas, agora abri esse espaço para postar meus pensamentos.

Qual o próximo passo? Não sei, mas qualquer coisa que me faça mais feliz sempre.

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