Que atire a primeira pedra

Nos últimos meses observando o comportamento e as postagens das pessoas nas redes sociais, principalmente no período da Copa do Mundo e posteriormente das Eleições no Brasil também, tive a impressão de estar dentro de um Tribunal de Justiça. O Facebook e o Twitter pareciam palco de um grande julgamento onde tudo estava sendo analisado e discutido, a vida das pessoas, o que elas faziam, diziam e, acima de tudo, postavam.

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Não estou me referindo simplesmente à opinião, porque isso todos nós temos, e se fosse realmente bom venderíamos e não sairíamos por ai distribuindo de graça. Estou me referindo a julgamento mesmo. As pessoas decidiram que podem julgar as outras livremente e escrachar seus mais profundos sentimentos em praça pública, ou melhor, na timeline.

Quando as redes sociais surgiram as pessoas eram mais comedidas na exposição dos seus pensamentos, as postagens de fotos aconteciam num volume absurdamente menor do que atualmente, depois alguns começaram a aproveitar o espaço para reclamar sobre algum problema enquanto consumidor diante de um produto com problema, mal atendimento ou serviço não prestado. Em seguida começamos a perceber melhor o que as pessoas pensavam sobre diversos temas e o que faziam no seu dia-a-dia. Até que comecei a me dar conta que ao invés de postarem sobre suas vidas ou que pensam sobre os assuntos diversos do mundo, resolveram se aproveitar de uma proteção ilusória de que estão diante de um computador ou telefone e não frente a frente com outras pessoas, e apontaram suas armas para todas as cabeças. E então vemos um show de julgamentos. Todos os juízes ilibados evidentemente.

O poder que a internet tem para a mobilização também pode ser usado para dar vazão à histeria coletiva e a julgamentos equivocados. E, quando ocorre uma condenação prematura pela sociedade, as consequências podem ser irreversíveis.

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O melhor exemplo do surgimento da legião de juízes é o atual assunto da mídia: o flagra da traição de Marcelo Adnet que é casado com a humorista Dani Calabresa. Depois que as fotos vazaram na internet se assistiu um circo de horrores. As pessoas pareciam cães esfomeados diante de carne suculenta. Todos viraram santos, anjos imaculados ou Juízes de Direito, jogando Adnet na fogueira, para queimar como as bruxas na inquisição. Nesses momentos percebemos o quanto a sociedade ainda precisa evoluir, que os pensamentos preconceituosos estão arraigados esperando só a oportunidade para sair da toca.

Ora, se o Marcelo traiu a esposa é algo que só diz respeito a eles. Não vivemos a vida deles, não sabemos o que se passa no dia-a-dia, as implicações, as combinações, as motivações, seja lá o que for. Simples assim. Podemos ter opinião sobre relações extraconjugais ou sobre quaisquer assuntos, mas apontar o dedo e julgar o outro já vai para outro patamar.

Vivemos literalmente numa fogueira de vaidades, onde dar luz aos erros alheios nos envaidece e dá conforto por saber que existem pessoas “menos perfeitas”. Pura hipocrisia, ninguém é perfeito. Que atire a primeira pedra quem nunca cometeu nenhum erro. Aliás, não atirem nada, que utilizem essa energia para fazer coisas boas e tentar melhorar os aspectos possíveis das suas vidas.

Lembre-se: “O seu direito termina onde começa o direito do outro”.

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