Vale a leitura (Dica): Hacks de Produtividade #1: Autocuidado — Matheus de Souza

Hoje começo uma série de #5 Hacks de Produtividade — ou mais, dependendo dos feedbacks. As dicas serão publicadas sempre às quartas-feiras. Nos últimos meses tenho pesquisado e escrito bastante sobre produtividade. Tenho focado em conteúdos que ajudem profissionais criativos no que realmente importa: criação — seja você um escritor, blogueiro, fotógrafo, profissional de marketing e afins. O tema virou quase […]

via Hacks de Produtividade #1: Autocuidado — Matheus de Souza

O problema não está no outro

Existe uma dificuldade enorme em perceber a diversidade humana e sua subjetividade”, é com essa frase do Professor Leandro Karnal que começo esse texto, onde quero trazer uma breve reflexão sobre a falta de entendimento e respeito com aquilo que só diz respeito ao outro. E nada melhor do que utilizar as sábias palavras de um Historiador, que tive o privilégio de conhecer pessoalmente e ouvir numa palestra, para reforçar meus argumentos.

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Os Jogos Olímpicos Rio 2016 movimentam a mídia do mundo inteiro com notícias. Todos os dias vemos, lemos e ouvimos curiosidades, estatísticas, previsões, resultados e informações sobre tudo que acontece nas competições e até mesmo dentro da Vila Olímpica, onde os atletas estão hospedados. Jornalistas do mundo inteiro estão sedentos por conteúdos diferenciados para rechear suas matérias, tanto para atender suas expectativas pessoais/profissionais, do próprio veículo de comunicação para o os quais trabalham, quanto para um público cada vez mais interessado em novos assuntos. Entretanto, nesse contexto em que temos o jornalista, o conteúdo a ser abordado, o canal que veiculará a notícia e o público que receberá a informação, ao longo de todas essas etapas deverá sempre existir uma questão muito importante: o bom senso. Ou seja, uma avaliação mínima sobre a pertinência do que será dito, as consequências que acarretará, o objetivo daquilo estar sendo dito e, mais ainda, de forma afetará as pessoas.

Um artigo polêmico escrito pelo jornalista britânico Nico Hines, editor do site “The Daily Beast”, foi uma das coisas mais desastrosas que se viu ultimamente em uma cobertura de Olimpíadas e incomodou até mesmo atletas que não estão envolvidos na notícia e também os internautas. Em resumo, ele planejou uma forma de “tirar do armário” alguns esportistas que estão na cidade para os Jogos Olímpicos, para isso criou um perfil falso em um aplicativo de paquera para o público LGBT, mapeou atletas via GPS e chegou a marcar encontros com alguns deles (mas não compareceu em nenhum deles de verdade). O jornalista, que é heterossexual, a partir disso, criou um texto chamado “I Got Three Grindr Dates in a Hour in the Olympic Village” (“Consegui três encontros no Grindr em uma hora na Vila Olímpica”), narrando em detalhes a facilidade com que marcou esses encontros usando aplicativos como Grindr, Hornet, Tinder, entre outros. Apesar de abordar também atletas heterossexuais, o texto tem o foco principal sobre os gays.

A publicação enfureceu muitos outros atletas, mesmo não envolvidos ou citados no texto, assim como, os amigos dos competidores e o público em geral. Afinal de contas, além de expor as pessoas de forma inescrupulosa, não mediu em nenhum momento as consequências. Muitos dos atletas comentados ainda são muito jovens e não haviam ainda achado uma forma de compartilhar com as suas famílias a questão de sua sexualidade, outros, todavia, residem em países extremamente radicais em que o fato de ser gay é considerado um crime.  E nessa mistura toda tem o reflexo na imagem do atleta com as marcas dos seus patrocinadores e também com o público, que poderá causar transtornos na sua carreira, afinal de contas o preconceito ainda é enorme (talvez ainda mais acentuado no meio esportivo).

O nadador Amini Fonua, que está no Rio para participar dos Jogos e nasceu em Tonga, país onde os homossexuais são violentamente criminalizados, usou o Twitter para criticar de forma veemente o que foi feito pelo jornalista: “Algumas dessas pessoas que você tirou do armário são meus amigos. Com família e vidas que serão afetadas para sempre”. “Imagine um espaço onde você pode ser você mesmo, se sentir seguro, sendo arruinado por alguém que acha que tudo é brincadeira?”, escreveu o nadador.

Depois de muita polêmica, o artigo foi apagado do site e substituído por um pedido de desculpas do Daily Beast que publicou: “Nossa esperança é que, ao remover o artigo que está em conflito com nossos valores, bem como com aos quais aspiramos como jornalistas, demonstre quão seriamente levamos nosso erro”.

Então a partir disso tudo que li na imprensa e relatei aqui, eu me pergunto: onde está a ética? Onde foi parar o bom senso? O que está acontecendo com os seres humanos?

Espero que as pessoas entendam a gravidade dessa publicação, das atitudes do jornalista e do veículo que autorizou e publicou seu texto (caso tenham visto antes). Nenhuma pessoa tem o direito de invadir a intimidade dos outros, enganar através de perfis fakes para arrancar informações e depois expor isso ao mundo. Ninguém tem o direito de interferir dessa forma na vida do outro sem a mínima consciência das consequências que isso trará. Falar ou não sobre a sexualidade é uma escolha única e exclusiva da pessoa que está vivenciando aquilo. E o direito de não ser exposto serve para todos os aspectos da vida de cada um. O que ele pensou que ganharia com isso? Um pouco mais de exposição, quem sabe, ou muitas visualizações e audiência. Mas a que preço? Quem paga essa conta?

O que falta para muitas pessoas entenderem é que o fato de expor da vida do outro, ou aquilo que consideram um “problema” na vida alheia, não as torna melhores. Você não é melhor porque alguém é diferente de você, porque ser melhor ou pior depende do ponto de vista e da subjetividade de cada pessoa. Alguém pobre, por exemplo, pode se sentir melhor do que alguém muito rico, simplesmente porque tem a liberdade de ir e vir sem se preocupar com a segurança, ou porque não tem amizades baseadas em interesses ou talvez não precise se preocupar tanto com os negócios, já que não tem tantas famílias dependendo financeiramente dele. Assim como, uma pessoa gorda pode se sentir mais feliz que uma magra, simplesmente porque pode comer tudo que tem vontade. Enfim, a questão toda é que expor algo que a gente ache errado nos outros não nos faz melhor, ao contrário, apenas nos torna mais medíocres.

O problema não é ser gay, mas sim ser um jornalista que se faz passar por outra pessoa, apenas para expor a intimidade dos outros com o objetivo de que sua notícia tenha audiência e repercussão na mídia. Falta aqui a dimensão do humano, a ética, o respeito e o bom senso.

A viralização de um exemplo de comportamento

Nestes últimos dias vivenciei uma situação no mínimo inusitada, e porque não dizer, inesperada. Estava em casa na noite de domingo, sentado no sofá da sala, diante da TV, acompanhando a cobertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Era um olho na TV e outro na tela do celular.

Foi quando decidi escrever sobre uma foto que vi circulando o dia todo nas redes sociais, e inclusive já havia lido várias interpretações sobre ela, algumas mais curtas outras mais longas, mas todas com o mesmo tema: Gisele Bündchen. Eu não sabia nem quem era o fotógrafo que havia registrado aquela bela imagem e muito menos se havia um autor original dos vários textos parecidos que circulavam juntamente com aquele click. Mesmo assim, como a foto havia me causado um grande impacto, por tudo que ela conseguia dizer sem nenhuma palavra escrita ou dita, apenas com a observação, decidi que queria dizer o que pensava sobre aquilo.

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Ver a maior modelo do planeta, a maior fortuna do mundo da moda, uma “über model”, se concentrando para fazer sua participação na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, sentada numa cadeira simples, dentro de um espaço inacabado e precário, sem todo um aparato que comumente se cercam as grandes estrelas, foi o que eu precisava para reativar minha memória e meus pensamentos sobre o que isso significa. Sou publicitário e trabalho há mais de quinze anos neste meio, entre agências de propaganda, produtoras de evento e grupos de comunicação. Grande parte da minha vivência profissional foi justamente lidando com artistas, modelos, jornalistas, misses, apresentadores, palestrantes, cantores, enfim, quase todos os tipos de profissões que acabam tendo notoriedade pública. Mais ainda porque sempre estou produzindo eventos e vivenciando os bastidores deles. E ao longo desses anos, pude interagir, assistir e ter a experiência de lidar com muitas dessas pessoas, o que me fez ter boas e más lembranças sobre o assunto. Tenho tantas histórias sobre bastidores que com certeza dariam um bom livro, mas, que no meu ponto de vista, valeria mais por uma análise de comportamento do que somente pelas histórias em si.

Então estava eu sentado no sofá relembrando de todas essas coisas e com o celular na mão e ali mesmo comecei a digitar a minha opinião sobre o que aquela imagem da Gisele representava. Postei no Facebook minha modesta interpretação, sem grandes pretensões, imaginando ter apenas alguns “likes” dos amigos ou conhecidos, afinal era um texto meio longo e a maioria não teria paciência para ler. O que seria mais uma postagem comum na minha timeline simplesmente viralizou nas redes sociais e quando me dei conta tinham milhares de curtidas e compartilhamentos. Recebi mensagens de todos os cantos do país, comentários até de fora do Brasil, contatos para entrevistas. Amigos e parentes de outros Estados do Brasil fizeram contato via WhatsApp, enfim, a proporção foi gigante.

Em casa, duas noites após a postagem, sentado no mesmo sofá, fiquei pensando sobre tudo que aconteceu e cheguei a uma conclusão que me deixou mais confortável, animado e até mesmo orgulhoso. Eu não estava feliz porque uma postagem minha havia feito sucesso nas redes, mas sinceramente pela reflexão que havia provocado nas pessoas. Saber que o conteúdo de uma análise sobre o comportamento humano fez com que o público se mobilizasse, comentasse e refletisse é uma tremenda conquista.

A leitura que faço de tudo isso é que a sociedade não está mais disposta a aceitar tudo, a lidar com comportamentos descabidos e que entendem que bons profissionais e pessoas de sucesso não dependem do aparato ao seu redor, mas essencialmente do seu próprio talento. Estamos cansados da superficialidade, boçalidade, exigências que extrapolam o bom senso. E cada vez mais entendemos que independente da profissão, todos somos iguais, todos merecemos o mesmo respeito e tratamento. As pessoas podem e merecem ter sucesso, mas que ele venha com o resultado do seu trabalho e não baseado apenas nos meandros que a fama traz. Temos que cada vez mais aprender a dar valor para o que realmente merece. E a postagem ter se tornado um viral nas redes sociais não foi nada mais do que a coroação de um exemplo positivo de comportamento. Estamos sedentos de bons exemplos e quando ele vem de alguém tão famoso como Gisele, se torna mais especial ainda, porque mostra que é possível ter simplicidade em meio a fama.

Como resultado de tudo isso, decidi resgatar esse blog que havia iniciado há dois anos e estava adormecido. Vou continuar escrevendo minhas impressões e interpretações sobre as coisas que me cercam ou assuntos do momento. Não sei se minhas palavras serão válidas ou terão pertinência, mas que pelo menos possam ajudar a refletir sempre.

Agradeço a troca que tive durante esse tempo com tantas pessoas. E mais uma vez, ressalto que Gisele Bündchen é um exemplo de profissional e do comportamento que se espera de uma estrela de verdade.

Para os que não lerem o texto da postagem que gerou toda repercussão, estou colocando ele aqui na integra:

Já li outras postagens abordando esse assunto, mas, ao invés de compartilhar, decidi escrever minhas próprias considerações observando essa imagem que está circulando a internet (de algum fotógrafo que desconheço, por isso não coloquei o devido crédito, mas o parabenizo pelo belo registro ). Não trago nada de exatamente novo ou que ninguém tenha dito, pensado ou falado acerca, mas é o meu olhar.
Nessa foto, Gisele Bündchen está se concentrando no camarim, antes de entrar e fazer sua participação na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Brasil.
Muitos podem se perguntar: o que isso tem demais? É só observar em torno dela, os detalhes da imagem, eles dizem mais que muitas palavras. Um piso de cimento cru, recortes do que parece ser um carpete cobrindo uma parte do chão, cadeiras simples, objetos empilhados num canto, tomadas sem acabamento e proteção e paredes sem reboco em algumas partes e sem pintura. Um espaço simples, inacabado e, pelo jeito, improvisado.
No centro dessa sala, ela: a maior modelo do planeta, a maior fortuna do mundo da moda, o que os entendidos chamam de “über model” ( que está acima das top models). E eu concordo!
O que ela faz nesse momento da foto? Está pronta, vestida, penteada e maquiada, se concentrando antes de ir cumprir sua parte no evento. Não está ligando para o ambiente em que a colocaram, nem dando “piti” ou reclamando. Está fazendo o seu trabalho, independente do aparato.
Aí paro e penso em quantas pessoas que estão começando suas carreiras e fazendo mil exigências. Artistas, atores, modelos, misses, cantores e jornalistas que são contratados para um evento e pedem um milhão de coisas, tem listas de pedidos para camarim, um séquito de funcionários correndo em volta. Reclamam do vôo que fizeram, do carro que foi buscá-los, do camarim, se tem que caminhar 100 metros a mais, se o ar condicionado não está a contento, se não tem um tipo específico de flores no espaço, se tem champanhe da marca preferida, se o figurino não é do jeito que imaginaram, da maquiagem, do cabelo, da iluminação do lugar, se tem quem entregue água na sua mão, quem lhe alcance tudo que precisar, se tem que esperar um pouco, entre outras milhares de coisas.
As pessoas não percebem que não é esse aparato todo que faz o resultado. A Gisele mesmo estando nesse espaço simples, entrou no estádio e brilhou. Iluminou os olhares de todo mundo. Porque a luz que emana está nela e não nas coisas, ou num suposto aparato que teria.
Aprendam que bons profissionais e pessoas de sucesso não dependem das coisas, mas do seu próprio talento.
É claro que sabemos que ela é uma pessoa com posses e consequentemente deve vivenciar facilidades, mimos e cortejos, com todo mérito. Mas o importante é saber que apresenta o mesmo resultado estando numa sala inacabada ou num camarim coberto de ouro. Sabe se virar em qualquer lugar, sem se importar ou deixar que isso seja o mais importante.
Eu vejo beleza e majestade na simplicidade dessa foto. E, mais ainda, uma profissional que merece o sucesso que tem!
Enquanto, por outro lado, vejo diariamente tantas pessoas boçais, que precisam de alguém com quem possam gritar ou que lhe sirva um copo de água na mão para se sentirem importantes.

Obs.: agora sei de onde veio a origem dos vários textos que li no final de semana e dessa bela foto que acabaram me inspirando a escrever também na minha postagem sobre o tema: David Vieira.(Que fique claro que essa foto também não foi feita por ele, ambos não sabemos quem é o autor da imagem, mas a mesma nos inspirou em nossas análises. Tomara que consigamos identificar o fotógrafo, ele merece todos os créditos e nossos cumprimentos).

Minha página no Facebook: https://www.facebook.com/carlos.totti.1

Link da postagem feita no Facebook: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1181729998556231&set=a.273496082712965.69499.100001577265183&type=3&theater

 

Que atire a primeira pedra

Nos últimos meses observando o comportamento e as postagens das pessoas nas redes sociais, principalmente no período da Copa do Mundo e posteriormente das Eleições no Brasil também, tive a impressão de estar dentro de um Tribunal de Justiça. O Facebook e o Twitter pareciam palco de um grande julgamento onde tudo estava sendo analisado e discutido, a vida das pessoas, o que elas faziam, diziam e, acima de tudo, postavam.

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Não estou me referindo simplesmente à opinião, porque isso todos nós temos, e se fosse realmente bom venderíamos e não sairíamos por ai distribuindo de graça. Estou me referindo a julgamento mesmo. As pessoas decidiram que podem julgar as outras livremente e escrachar seus mais profundos sentimentos em praça pública, ou melhor, na timeline.

Quando as redes sociais surgiram as pessoas eram mais comedidas na exposição dos seus pensamentos, as postagens de fotos aconteciam num volume absurdamente menor do que atualmente, depois alguns começaram a aproveitar o espaço para reclamar sobre algum problema enquanto consumidor diante de um produto com problema, mal atendimento ou serviço não prestado. Em seguida começamos a perceber melhor o que as pessoas pensavam sobre diversos temas e o que faziam no seu dia-a-dia. Até que comecei a me dar conta que ao invés de postarem sobre suas vidas ou que pensam sobre os assuntos diversos do mundo, resolveram se aproveitar de uma proteção ilusória de que estão diante de um computador ou telefone e não frente a frente com outras pessoas, e apontaram suas armas para todas as cabeças. E então vemos um show de julgamentos. Todos os juízes ilibados evidentemente.

O poder que a internet tem para a mobilização também pode ser usado para dar vazão à histeria coletiva e a julgamentos equivocados. E, quando ocorre uma condenação prematura pela sociedade, as consequências podem ser irreversíveis.

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O melhor exemplo do surgimento da legião de juízes é o atual assunto da mídia: o flagra da traição de Marcelo Adnet que é casado com a humorista Dani Calabresa. Depois que as fotos vazaram na internet se assistiu um circo de horrores. As pessoas pareciam cães esfomeados diante de carne suculenta. Todos viraram santos, anjos imaculados ou Juízes de Direito, jogando Adnet na fogueira, para queimar como as bruxas na inquisição. Nesses momentos percebemos o quanto a sociedade ainda precisa evoluir, que os pensamentos preconceituosos estão arraigados esperando só a oportunidade para sair da toca.

Ora, se o Marcelo traiu a esposa é algo que só diz respeito a eles. Não vivemos a vida deles, não sabemos o que se passa no dia-a-dia, as implicações, as combinações, as motivações, seja lá o que for. Simples assim. Podemos ter opinião sobre relações extraconjugais ou sobre quaisquer assuntos, mas apontar o dedo e julgar o outro já vai para outro patamar.

Vivemos literalmente numa fogueira de vaidades, onde dar luz aos erros alheios nos envaidece e dá conforto por saber que existem pessoas “menos perfeitas”. Pura hipocrisia, ninguém é perfeito. Que atire a primeira pedra quem nunca cometeu nenhum erro. Aliás, não atirem nada, que utilizem essa energia para fazer coisas boas e tentar melhorar os aspectos possíveis das suas vidas.

Lembre-se: “O seu direito termina onde começa o direito do outro”.

Toda nudez será castigada

NUDEZ

Na cidade de Porto Alegre, capital gaúcha, aconteceu um fato recorrente nas últimas semanas: três pessoas ficaram nuas na rua. Primeiro, uma mulher tirou a roupa e saiu correndo pelo no Parque Moinhos de Vento, que fica dentro de um bairro considerado nobre na cidade. Depois, surge na mídia as imagens de uma segunda mulher que saiu caminhando nua pela Avenida Carlos Gomes, em plena chuva, num horário de pico do trânsito com centenas de carros buzinando. E teve também o caso de um travesti que saiu nu pela Avenida Loureiro da Silva, próximo do centro de Porto Alegre, outro ponto de muito movimento de trânsito e pedestres. Só não sei exatamente se ele fez isso antes ou depois delas. Mas a ordem dos fatos não é mais importante do que tenho a dizer aqui.

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Independente do que motivou essas pessoas a tirarem a roupa e saírem nuas na rua, percebi o quanto gerou furor nas outras pessoas que comentavam as fotos nas redes sociais, assim como, as reações quando assistiam as imagens nas matérias de TV. Era como se tivessem vendo o Brasil ganhar um jogo, ou acompanhando o último capítulo de uma novela de sucesso. Os que estavam conversando em grupo paravam na hora e ficavam vidrados na tela da TV, para nos segundos seguintes começarem um falatório acalorado.

E isso me fez questionar: por que as pessoas temem tanto a nudez? Sim, porque acredito que a maioria dos seres humanos ainda não sabe lidar com isso. Tirar as roupas é quase como despir a alma. Sentimo-nos tão vulneráveis que é como se o outro estivesse vendo dentro da gente. As pessoas num geral sentem-se mal em tirar a roupa na frente do médico numa consulta, em meio aos outros no vestiário, num banheiro público. Tem alguns que até mesmo no provador de roupas de uma loja, ficam olhando se não tem nem um resquício de espaço na porta ou na cortina para alguém lhes ver. Acho que tudo isso se deve a pudor, a repressão da sexualidade, vergonha do próprio corpo tendo em vista os padrões estéticos do mundo atual, enfim é uma soma de vários fatores.

Todos ficam se escondendo o tempo inteiro. E o primeiro que tem coragem de expor seu corpo aos olhos do mundo é apontado. A nudez gera curiosidade, espanto, graça, constrangimento e temeridade. Nem tudo tem a ver com sexualidade ou sensualidade, tirar a roupa, pode ser simplesmente tirar a roupa. Mas a sociedade não sabe lidar ainda com isso de forma madura.

É justamente por isso que muitos grupos quando querem fazer um protesto político/social/ambiental sobre qualquer tema usam a nudez como artifício para chamar a atenção das pessoas e da imprensa. Pois sabem que suas reinvindicações terão todos os holofotes com os corpos expostos. E talvez tenha sido por isso também que essas três pessoas ousaram abandonar suas vestes e sair pelas ruas de Porto Alegre sem elas. Foi uma forma de protestarem, chamarem a atenção, soltarem as emoções de algum problema que estão vivendo, ou simplesmente se sentirem livres de novo.

                Isso tudo me fez recordar de “Toda nudez será castigada”, uma peça teatral escrita por Nelson Rodrigues, em 1965. Sua primeira encenação teve estreia no dia 21 de junho de 1965, no Teatro Serrador, do Rio de Janeiro, sob a direção do polonês Ziembinski. Também tornou-se posteriormente um filme brasileiro lançado em dezembro de 1972, dirigido por Arnaldo Jabor, e produzido pela Produções Cinematográficas Roberto Farias. O roteiro fala sobre Herculano, um homem puritano, viúvo, que jura a seu filho Serginho que nunca terá outra mulher. No entanto, ele se apaixona por uma prostituta, Geni, a quem conhece por intermédio de Patrício, seu irmão, interessado em que Herculano volte a sustentar seus vícios com bebida e mulheres. Quando resolve casar-se com Geni, gera uma série de conflitos em sua família, entre eles a prisão de Serginho após uma briga em um bar. O garoto é estuprado na prisão e, após solto, torna-se amante de Geni, somente com a intenção de vingar-se do pai por haver quebrado o juramento. No fim, Serginho foge com o ladrão boliviano, que o estuprara na delegacia. Em desespero, Geni comete suicídio, deixando uma fita gravada narrando toda a história para Herculano.

O fato de Geni ser uma prostituta e usar a nudez para seduzir, assim como, para ganhar a vida, não teria nenhum problema, aos meus olhos evidentemente, mas foi o que despertou a ira das pessoas na história. E consequentemente o final trágico. Afinal, como ela pode tirar a roupa dessa maneira?! É muita ousadia! E taca-lhe pedra na Geni! Bem como diz a letra de Chico Buarque na música “Geni e o Zepelim”: “Joga pedra na GeniJoga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!”.

Nelson Rodrigues estava certo quando disse que toda nudez será castigada. E por muito tempo será mesmo. Vai demorar até que o ato de tirar as roupas possa ser simplesmente isso: tirar as roupas que cobrem a pele. Por décadas ainda será algo para fazermos dentro das nossas casas, fechados no quarto ou no banheiro. Ou para as prostitutas, garotos de programa, atores de filmes pornôs, pessoas que saem em capas de revistas em troca de um alto cachê, modelos e atores mais ousados.

Como sempre a sociedade e os seus paradigmas. Tendo em vista os diversos fenômenos políticos, econômicos e culturais em que estamos vivenciando, ainda cabe perguntar: Afinal, os pudores podem ser vencidos?

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O Brasil que deu certo

Lembro que era 1998/1999, mais ou menos, quando comecei a prestar a atenção no assunto sobre uma modelo gaúcha que estava fazendo muito sucesso no mundo inteiro: Gisele Bundchen. Estava na universidade e uma colega apareceu com uma revista com ela estampando a capa e, depois disso, li também nos sites de notícias várias matérias sobre o assunto. Pelo menos aos meus olhos, foi ali que descobri como expectador o poder do que acredito ser o nosso maior furacão avassalador brasileiro. É incrível que nas primeiras fotos em que a vi na mídia já pude identificar um brilho especial, aquele algo diferente que não sabemos explicar, mas que por algum motivo aquela pessoa desperta interesse, chama a atenção, irradia uma luz, que é impossível passar desapercebida, mesmo misturada com muitas outras modelos no mesmo ambiente. Sei até mesmo quais eram aquelas primeiras fotos e revistas as quais despertei para o assunto:

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Naquela época só se ouvia falar em Cindy Crawford, Cláudia Schiffer, Naomi Campbell, Kate Moss. E, de repente, pela primeira vez uma modelo brasileira chegava com tudo e era comparada as grandes estrelas que conhecíamos até então. E de lá para cá foi uma subida sem fim, a projeção da sua carreira foi astronômica. E quando se achava que o mundo engoliria a Gisele, ela engoliu o mundo. Os anos passaram e foram muitas campanhas publicitárias, capas de revistas, desfiles, comerciais de TV, participação no cinema, enfim, tudo aquilo que quem chega ao topo tem a chance de fazer e experimentar. E o mais bacana disso tudo é que ela nunca perdeu as raízes brasileiras e o contato com o país. E foi nos dando muitos motivos de orgulho, sendo efetivamente uma referência de sucesso.

E então estamos em 2014 e ela continua sendo um estouro. Arrasou nos tapetes vermelhos, participou do evento de encerramento da Copa do Mundo no Brasil, se tornou estrela de uma mega campanha da Chanel, e agora, teve uma passagem mais do que marcante nas passarelas do São Paulo Fashion Week. Ela literalmente foi o assunto da mídia desde o momento em que pisou no desfile da Colcci. E foi nesse momento que resolvi escrever sobre ela. Quando me dei conta de quantos anos se passaram e como essa mulher conseguiu se manter numa carreira sólida, ou melhor, fazer ainda mais sucesso do que antes. Não sei se é profissionalismo, luz, carisma, beleza, ou a soma disso tudo, o que importa que Gisele Bundchen é um furacão e nos enche sempre de orgulho. Num país onde as pessoas estão divididas, desunidas e buscando seus caminhos, posso dizer que ela me representa!

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Fosfolipídeos do Caviar

Estava eu observando o rótulo do frasco de umas das cápsulas que passei a ingerir desde que fui consultar uma nutricionista. E lá estava um dos componentes: fosfolipídeos do caviar. Lembrei que ela explicou que tratava-se uma substância consagrada na Europa e nos Estados Unidos, inclusive utilizada por alguns artistas de Hollywood. A cápsula proveniente das ovas, atua no tratamento global da pele devido à presença de fosfolipídios e proteínas que formam uma barreira epidérmica, mantendo a membrana celular íntegra e hidratada. Em bom português ajuda na produção de colágeno e elastina, o que proporciona melhora das rugas, flacidez, brilho, hidratação da pele, entre outros fatores. Enfim, essa era uma das substâncias que estava dentro daquele frasco, junto com muitas outras vitaminas.

Depois do ritual de ingerir aquela cápsula e passar para frascos seguintes, fiquei pensando na minha decisão de mudança nos hábitos de vida. Para resumir essa história: acordei um dia incomodado e resolvi arregaçar as mangas e ir a luta, ou seja, cuidar de mim. Fiz check-up médico, procurei uma nutricionista, fiz matrícula na academia, comprei roupas adequadas para prática de exercícios físicos e comecei a utilizar alguns medicamentos suplementares.

Eu já vinha numa escalada em prol da estética e da saúde há um tempo, mas na primeira etapa comecei adicionando o uso do filtro solar no rosto diariamente, depois com a ajuda da dermatologista aprendi novas técnicas e a utilizar outros produtos, como: gel de limpeza na pele, adstringente, água termal, tonificante, creme para olheiras, tratamento para área dos olhos, serum para o rosto, entre outros milhares de itens do mundo da cosmética. Na sequência veio as sessões de limpeza de pele, depois comecei a querer experimentar vários produtos e ir testando os resultados. E a isso se somam todas aquelas coisas bem básicas que conhecemos: cortar o cabelo, aparar a barba, cortar as unhas, etc.

E de repente, você descobre que existe um mundo de possibilidades na reeducação alimentar. Produtos e comidas de todos os jeitos, com baixo teor de gordura, menos calorias, sem glúten, sem lactose, com mais fibras. Milhares de opções para experimentar e descobrir aquilo que vai gostar mais. E junto com isso vem a adequação dos hábitos, comer de 3 em 3 horas, beber mais água, optar por itens mais saudáveis, diminuir sal e açúcar, e abandonar os refrigerantes (isso eu já havia feito há 2 anos). Além disso, surgem os suplementos, vitaminas, remédio para auxiliar na fortificação dos cabelos, pele e unhas, para diminuir a ansiedade, para dar força ao sistema imunológico.

E na academia um mundo de possibilidades surgem, além da boa e velha musculação: natação, corrida, pilates, hidroginástica, hidro circuito, aulas de diversos tipos de aeróbicos, boxe, ginástica funcional, kangoo jumps (quase morri pulando), enfim, uma gama para escolher. E eu claro, fui experimentando várias delas.

Na sequência você se depara com o shiatsu, as massagens relaxantes e redutoras de medidas, drenagem linfática (eu fiz!), RPG. E nem vamos falar da depilação (ui!), parei nas orelhas e no nariz.

E em determinado momento você se dá conta que está fazendo tantas coisas por você mesmo que nem imaginava. Inconscientemente já se alimenta direito, faz algum tipo de exercício, utiliza os recursos da medicina estética, organiza seu tempo para fazer suas coisas, em resumo, cuida da própria saúde. Mas isso demanda atenção, foco, determinação, vontade, tempo e investimento. Sim, investimento financeiro também. Só que uma das melhores poupanças que a gente pode ter a chance de fazer.

No meu caso, por exemplo, vim parar no Fosfolipídeos do Caviar. Mas não me arrependo, porque daqui alguns anos vou me olhar no espelho e gostar do que vou ver. E o principal, estarei vivo e saudável para isso. (se Deus não tiver outros planos, claro…hehe)

E esse blog surgiu nesse momento da vida, o momento da reinvenção. Por isso o nome: Hoje resolvi fazer uma coisa diferente. Uma pequena homenagem a Marilac, evidentemente, mas a mim mesmo que acordei um dia e quis mudar. Nesse ano de 2014 estou fazendo um grande movimento na minha vida, voltei a cursar teatro, fiz uma ponta num filme, acabei numa matéria de TV, efetuei todas essas mudanças na alimentação e na realização de atividades físicas, agora abri esse espaço para postar meus pensamentos.

Qual o próximo passo? Não sei, mas qualquer coisa que me faça mais feliz sempre.

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